sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Papai Noel: gravação da Campanha do Natal 2010, do Santa Cruz Shopping

Fotos de João Schubert








Do Observatório da Imprensa

SESSÃO DE CINEMA

Decifra-me ou te devoro

Por Robson Terra em 9/11/2010

Os filmes que são ressuscitados em dias de eleição presidencial pela programação da Rede Globo sempre despertam curiosidades e a inevitável comparação com o momento cívico e emocional que estamos vivenciando. Nas duas últimas eleições para presidente, no segundo turno, quando Lula foi eleito, a sessão Temperatura Máxima, da emissora carioca, exibiu o filme O Náufrago, que a sinopse descreve como "um homem solitário por quatros anos em uma ilha deserta. O ambiente mais desolado que possa imaginar. Após quatro anos, Chuck volta para a civilização como um homem profundamente mudado". Na sessão de Domingo Maior em 2006, após a confirmação da vitória de Lula, surgiu o clássico Os Dez Mandamentos, de Cecil B. DeMille, onde Moisés, lendário personagem bíblico, recebia as tábuas com os dez mandamentos a serem seguidos pela humanidade.

A história exibida ontem (31/10), durante a eleição, em segundo turno, de Dilma Rousseff, foi Inteligência Artificial. Numa resenha do ComCiência, de 2001, sem assinatura do autor, encontramos uma resposta para a interrogação sobre a programação metafórica de Temperatura Máxima:

Nesse sentido, Rodney Brooks (apud Folha de S.Paulo, 2001), diretor do Laboratório de Inteligência Artificial do MIT, para a produção do filme A.I., afirma: "Em 20 ou 30 anos, teremos capacidade tecnológica para construir um robô com a mesma quantidade de computação do cérebro humano. Só não sei se vamos conseguir decifrar os algoritmos necessários nesse período de tempo." Entretanto, ele esclarece: "A maior parte dos robôs que iremos construir não terá vontade própria." Penso que, nessa afirmação, se por um lado está demarcada uma "íntima" relação entre os humanos e os robôs, por outro, tais "seres" caracterizam-se como objetos perfeitos para ocuparem o lugar de objeto de gozo do outro que o possui.

Mais um vírus midiático

Mais instigante fica a programação quando, após a apuração dos votos que deram vitória à candidata apoiada pelo presidente Lula, a sessão de Domingo Maior exibiu Triplo X2 – Estado de Emergência, cuja sinopse diz:

"O agente de segurança nacional Augustus Gibbons (Samuel L. Jackson) escolhe o novo Triplo X: Darius Stone (Ice Cube), um condecorado soldado de operações especiais que está atualmente em uma prisão, sob pesada vigilância. Após ser solto, Darius precisa se infiltrar num grupo de dissidentes radicais engajados no próprio governo, que planejam eliminar o presidente americano."

Pode até não ter nada a ver, mas é muito curioso. E se o noticiário, hoje, é mais importante pelo que não diz do que pelo que está escrito, e a campanha eleitoral do segundo turno foi um ramalhete farto de pétalas envenenadas sob a égide da democracia e livre expressão, as possíveis intencionalidades contidas na programação dos filmes do domingo, 31 de outubro de 2010, deixam o telespectador arguto inoculado com mais um vírus midiático.

Metáforas do cinema...e da Globo.

domingo, 11 de julho de 2010

A RAINHA LOUCA -




A rainha louca é uma telenovela brasileira exibida pela TV Globo entre 20 de fevereiro e 16 de dezembro de 1967, às 21h30. Foi escrita por Glória Magadan, baseada no romance Memórias de um médico de Alexandre Dumas, e dirigida por Ziembinski e Daniel Filho. Teve 215 capítulos.

Relata a história do imperador francês no México, Maximiliano de Habsburgo, no momento das guerras de anexação de Napoleão III e de Charlotte, esposa de Maximiliano e filha do rei da Bélgica. Ela enlouquece por ser incapaz de resolver a contento os seus ideais.

Nos porões do palácio, vivia a Marquesa, uma simpática mendiga que protegia o romance secreto entre o nobre Xavier Montenegro, a quem chamava de "Bonitão", e uma camponesa. Enquanto isso, o índio Robledo cortejava Maria de las Mercês.

Elenco:

Nathália Timberg - Charlotte
Rubens de Falco - Maximiliano
Amilton Fernandes - Xavier Montenegro
Cláudio Marzo - Robledo
Theresa Amayo - Maria de las Mercês
Paulo Gracindo - Conde Demétrius
Zilka Salaberry - Marquesa
Leila Diniz - Lorenza

sábado, 5 de junho de 2010

Prefácio do Livro: MAGIA TELEVISIVA E RELIGIÃO: GLOBO E ATMOSFERA DA SEDUÇÃO de ROBSON TERRA.


Prefácio

Por José Luiz Ribeiro
Percorrer a magia televisiva guiado por Robson Terra é uma aventura que envolve ricos conhecimentos do Brasil popular onde a religiosidade surge no dia-a-dia e configura uma identidade nacional.

Partindo de um suporte amplo, eivado nos estudos da teoria da comunicação, o autor mergulha na vivência do sagrado, que aproxima o fiel do ritual e reveste de sentidos avassaladores no encontro de um Brasil pautado pela modernidade da mediação tecnológica.

O rádio e sua penetração em um Brasil arcaico, que se iluminou com o Rei da Vela, tornando-o possuidor de uma teia social cunhada no imaginário das cantoras famosas, abre as primeiras picadas para um estado nacional em que o melodrama dará seus primeiros passos para a difusão de histórias que encheram de lágrimas os olhos de nossas avós.

O traço da rota uniu o país e permitiu, nos anos cinqüenta, à televisão brasileira dar os seus primeiros passos na construção de uma hegemonia nacional. Assim como o rádio que nasceu em 22, a televisão dos anos cinqüenta evoluiu criando uma rede de consumidores que fizeram da novela um ponto de fuga para uma sociedade de olhos postos nos olimpianos.

Robson Terra mergulha em suas raízes e constrói, sem preconceitos, num tear imaginário uma belíssima reflexão sobre a mídia e a alma brasileira. Dono de saber sobre os caminhos percorridos vale-se da semiótica para levantar indícios signicos, icônicos e simbólicos para resgatar sinais de fumaça que, interpretados, nos abrem círculos de identificação entre o arcaico e o pós-moderno.

Como um profeta do apocalipse ele revela, nas entranhas da mídia, numa leitura muito própria, os fios que conduzem a sedução dos tempos modernos. Mostra como que, inconscientemente, o povo de Deus se transmuta no povo da mídia. Como a Rede Globo criou um público fiel através da atmosfera sedutora de narrativas que domesticavam corações e mentes.

Recupera a visão do homem comum, que se diverte com filmes B, chora com os dramas do cotidiano vividos pelos astros da telenovela e se anestesia com a realidade editada nos telejornais. Resgata este homem diante da produção midiática e seu comportamento de adesão. O espectador diante da tela que se acende e o integra virtualmente no espaço continental de um país que ri, chora se informa e aprende utilizando o filtro crítico que o guia em suas preferências.
Esta reflexão pode ser contestada, mas, certamente, não pode ser ignorada. Esta viagem toca na ferida de um mundo em que o sagrado perde sua instância diante de um tempo burocrático e banalizado. Ao percorrer esta obra os olhos do leitor serão contaminados pela sapiência da árvore da sabedoria. Percorrerá a lendária caminhada do rádio e da televisão brasileira revirando nos cantos ocultos da memória as frestas por onde o cronotopos se abastece de significados múltiplos criados numa relação especular que une homem e sociedade.

Num tempo em que os sofismas habitam a mente de uma sociedade fragmentada pela informação e pouco sedimentada na reflexão do conhecimento é preciso rever saberes e nada mais justo do que procurá-lo no religare do sagrado que liberta.
Um novo avatar se forma. Este paraíso criado pela sociedade do consumo
necessita de profetas que denunciem os ídolos de pé de barro. Neste caleidoscópio colorido com imagens tautológicas é preciso de sacerdotes que expliquem o mundo e, também de serpentes que revelem as vantagens do mundo da sabedoria oferecendo o fruto proibido que abre os olhos inocentes. Certamente o autor cumpre este papel de oferecer, como Prometeu, pistas para que o espectador, expulso do reino da midiocracia, conquiste o reino da cidadania.


José Luiz Ribeiro

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Rede Globo: 45 anos, campanha fora do ar

O filme da polêmica:


http://www.youtube.com/watch?v=Y9cOIczl4hw

A Globo sempre teve vocação governista e não pode ter seus interesses contrariados e a campanha política já começou. O filme sobre o 45 anos é pífio, traz referenciais de matrizes visuais e verbais ufanistas, através dos artistas, que representam o eleitorado brasileiro. A escolha dos nomes do elenco deve ter sido feita com rigor de estratégia de guerra.Lembra filmes de propaganda governamental subliminar onde os ídolos globais repetem slogans que são dicotômicos com a proposta da campanha de aniversário da emissora ou então, numa visão bem inocente (rsrsrsrs) é falta de criatividade mesmo...O que não se aplica à emissora.visualizar o recado inteiro