sexta-feira, 2 de maio de 2008


Novela das seis recupera a hora do terço

Desejo Proibido: a Fé como Ibope
Notícia publicada no excelente blog de Patrícia Kogut, de O GLOBO, em dois de maio, mostra a declaração do autor da novela das seis, Walther Negrão sobre a alavancagem da audiência do horário. O último capítulo rendeu 32 pontos. Confira: "Autor de "Desejo proibido", novela que chega ao fim hoje, Walther Negrão conta que a temática religiosa pode ter mexido com a audiência da novela. Apesar de muito elogiada pelo público, a novela não passou dos 30 pontos. Nem quando acabou o horário de verão, motivo ao qual foram atribuídos os problemas com a audiência. _ A Globo fez um grupo de discussão no início da exibição. Eram quatro grupos de mulheres debatendo. Em cada um deles havia uma parcela de evangélicas. Elas admitiram estar assistindo a novela escondido por causa da presença de uma santa na história" A citação do autor da novela das seis vem confirmar e revelar pistas para a pesquisa que desenvolvo para a dissertação de mestrado. O objeto de pesquisa remete à televisão dos anos de 1964 a 1975, a chamada Fase Populista, quando a TV Globo era um modelo de avanço tecnológico e com uma programação grotesca que tinha referência popularesca nos programas de Dercy Gonçalves, Raul Longras etc. Para alavancar a audiência naqueles tempos, a Globo, que entrou no ar em 26 de abril de 1965, pode ter buscado nas referências religiosas a concepção de signagem e simbolismo na programação.
O Brasil vivia o estado de anomia, que, segundo Émile Durkheim, é o estado em que desaparecem as referências do homem. O momento em que antecede o suicídio. O cidadão comum, do povo, o devoto que prestigiava a Igreja Católica daquele momento, se viu perdido, sem referência, em anomia, com as profundas alterações do rito católico pós-Concílio Vaticano II. A população brasileira pode ter transferido para a programação da televisão a fé que antes devotava aos santos e milagres. Os estudiosos das novas mídias como Thompson afirmam que: "o desenraizamento das tradições não as conduziu ao
definhamento, nem destruiu completamente a conexão entre tradições e unidades espaciais. Pelo contrário o desenraizamento foi a condição para a reimplantação das tradições em novos contextos e para a nova ancoragem das tradições a novos tipos de unidades territoriais que iam além dos limites das localidades compartilhadas". Assim a tradição se renova na mídia de entretenimento que busca na tradição representações para despertar a nova compreeensão do universo com dois elementos que exigem grande percepção: o rito da religião e da televisão.
Sempre que precisar recuperar audiência os elementos simbólicos das denominações religiosas podem ser estratégicos. Pierre Bourdieu no livro Sobre a Televisão
(1997) deixa perceber que a televisão enquanto meio de expressão do pensamento pode se transformar em um instrumento de opressão simbólica.



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